6.4. Limites de somatórios à la Riemann-Stieltjes

Vimos uma maneira de definir a integral em relação a processos {Yt}t\{Y_t\}_t cujos caminhos amostrais não são de variação limitada. Mas apenas integrandos da forma g(t,Yt),g(t, Y_t), para certos tipos particulares de funções, são permitidos (g=g(t)g = g(t) continuamente diferenciáveis ou g=g(t,y)=yG(t,y)g=g(t, y) = \partial_y G(t, y)). Queremos estender a noção de integral para funções mais gerais e com integrandos da forma g(t,Xt),g(t, X_t), i.e. envolvendo processos {Xt}t\{X_t\}_t diferentes daquele em relação ao qual estamos integrando. A motivação é prática: queremos integrar em relação a um processo de Wiener.

A integral definida anteriormente não foi feita diretamente em termos de somas de Riemann ou de integrais de funções simples. Foi definida na forma de dualidade (seja via fórmula de integração por partes, quando g=g(t)g=g(t) é diferenciável, ou via fórmula de mudança de variáveis, quando g=g(t,y)=yG(t,y)g=g(t, y) = \partial_y G(t, y)). Aqui, por outro lado, vamos investigar um caminho semelhante ao feito em integrais de Riemann-Stieltjes.

Na integral de Riemann-Stieltjes, consideramos malhas cada vez mais finas e aproximamos a função por funções constantes por partes, mais precisamente constantes em cada subintervalo da malha, cuja integral se reduz a um somatório finito. O valor em cada subintervalo da malha é determinado pelo valor da função em um ponto escolhido arbitrariamente em cada subintervalo. O limite do somatório deve existir e ser único independentemente da escolha desse ponto em cada subintervalo. Isso é possível sempre que a função integrada é contínua ou tem descontinuidades em um conjunto de medida nula.

Veremos, a seguir, que esse limite pode não ser único, ou não existir, quando integramos em relação a um processo de Wiener e escolhemos os pontos de forma arbitrária. A regularidade do integrando não é o problema. Muitas vezes vamos integrar processos cujos caminhos são contínuos. O problema é a possível dependência entre o integrando Xθ,X_{\theta}, em um ponto qualquer tθt+Δt,t \leq \theta \leq t + \Delta t, e o passo Wt+δtWt.W_{t + \delta t} - W_t. Por conta disso o limite irá depender da escolha do ponto e pode não convergir se a escolha não for feita de forma sistemática.

Para ilustrar a complexidade desse problema, vamos considerar diferentes somas de Riemann associadas à seguinte integral envolvendo um processo de Wiener {Wt}t0\{W_t\}_{t\geq 0}:

0TWt dWt. \int_0^T W_t \;\mathrm{d}W_t.

Observe que, via dualidade com a fórmula de mudança de variáveis, tomando G(y)=y2/2,G(y) = y^2/2, temos g(y)=G(y)=yg(y) = G'(y) = y e

0TWt dWt=G(WT)G(W0)=WT2. \int_0^T W_t \circ \;\mathrm{d}W_t = G(W_T) - G(W_0) = \frac{W_T}{2}.

O que acontece se, por outro lado, considerarmos as somas de Riemann-Stieltjes associada a essa integral?

Somas de Riemann-Stieltjes

Se os caminhos fossem, quase certamente, de variação limitada, poderiamos definir, para quase todo ω,\omega,

0TWt dWt=limM0j=1nWθj(WtjWtj1), \int_0^T W_t \;\mathrm{d}W_t = \lim_{\|M\| \rightarrow 0} \sum_{j=1}^{n} W_{\theta_j} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}}),

onde 0=t0<t1<<tn=T0 = t_0 < t_1 < \ldots < t_n = T e cada θj\theta_j é um número arbitrário em tj1θjtj,t_{j-1} \leq \theta_j \leq t_j, j=1,,n.j = 1, \ldots, n.

Mas como {Wt}t0\{W_t\}_{t\geq 0} não é de variação limitada, esse limite pode não existir. De fato, vamos ver que esse limite não existe.

Mais precisamente, vamos ver que, fixando 0λ10 \leq \lambda \leq 1 e escolhendo θj\theta_j como

θjλ=(1λ)tj1+λtj, \theta_j^\lambda = (1 - \lambda) t_{j-1} + \lambda t_j,

o limite acima existe, sim, mas depende de λ.\lambda.

Para vermos isso, dada uma partição M={tj}j=0nM = \{t_j\}_{j=0}^n como acima e dado λ\lambda satisfazendo 0λ1,0 \leq \lambda \leq 1, definimos

RM(λ)=j=1nWθjλ(WtjWtj1). R_M(\lambda) = \sum_{j=1}^{n} W_{\theta_j^\lambda} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}}).

Denotamos, ainda,

M=maxj=1,,n{tjtj1}. \|M\| = \max_{j=1, \ldots, n}\{t_j - t_{j-1}\}.

Vamos calcular, a seguir, o limite de RM(λ)R_M(\lambda) quando M0,\|M\|\rightarrow 0, no caso λ=0,\lambda = 0, depois no caso λ=1\lambda = 1 e, finalmente, no caso geral 0λ1.0 \leq \lambda \leq 1.

Caso λ=0\lambda = 0

Nesse caso, temos

RM(0)=j=1nWtj1(WtjWtj1). R_M(0) = \sum_{j=1}^{n} W_{t_{j-1}} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}}).

Se o processo de Wiener fosse de variação limitada, teríamos RM(0)R_M(0) convergindo para WT2/2.W_T^2/2. Pensando nisso, vamos analisar a discrepância entre RM(0)R_M(0) e WT2/2,W_T^2/2, dada por

DM=RM(0)WT22. D_M = R_M(0) - \frac{W_T^2}{2}.

Reescrevendo WT2W_T^2 como soma telescópica, temos

DM=j=1nWtj1(WtjWtj1)12j=1n(Wtj2Wtj12)=j=1nWtj1(WtjWtj1)12j=1n(Wtj+Wtj1)(WtjWtj1)=j=1n(Wtj112Wtj12Wtj1)(WtjWtj1)=j=1n(12Wtj112Wtj)(WtjWtj1)=12j=1n(WtjWtj1)2 \begin{align*} D_M & = \sum_{j=1}^{n} W_{t_{j-1}} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) - \frac{1}{2}\sum_{j=1}^{n} (W_{t_j}^2 - W_{t_{j-1}}^2) \\ & = \sum_{j=1}^{n} W_{t_{j-1}} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) - \frac{1}{2}\sum_{j=1}^{n} (W_{t_j} + W_{t_{j-1}})(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) \\ & = \sum_{j=1}^{n} \left(W_{t_{j-1}} - \frac{1}{2}W_{t_j} - \frac{1}{2}W_{t_{j-1}}\right)(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) \\ & = \sum_{j=1}^{n} \left(\frac{1}{2}W_{t_{j-1}} - \frac{1}{2}W_{t_j}\right)(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) \\ & = -\frac{1}{2}\sum_{j=1}^{n} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}})^2 \\ \end{align*}

Esse somatório foi considerado na seção 5.7. Variação ilimitada dos caminhos amostrais, onde mostramos, para uma malha qualquer, que o valor esperado satisfaz

E[j=1n(WtjWtj1)2]=j=1n(tjtj1)=tnt0=T, \mathbb{E}\left[\sum_{j=1}^n \left(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}\right)^2\right] = \sum_{j=1}^n (t_j - t_{j-1}) = t_n - t_0 = T,

enquanto que o momento de segunda ordem satisfaz

E[(j=1n(WtjWtj1)2)2]=i,j=1n(titi1)(tjtj1)+2j=1n(tjtj1)2. \mathbb{E}\left[\left(\sum_{j=1}^n \left(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}\right)^2\right)^2\right] = \sum_{i, j = 1}^n (t_i - t_{i-1})(t_j - t_{j-1}) + 2\sum_{j = 1}^n (t_j - t_{j-1})^2.

Naquela seção, usamos, em seguida, que as malhas são diádicas, para obter a convergência, quase certamente, para T.T. Aqui, temos uma malha qualquer e vamos nos contentar com a convergência em probabilidade. De fato, podemos escrever, mesmo para uma malha qualquer, que

i,j=1n(titi1)(tjtj1)=i=1n(titi1)j=1n(tjtj1)=T2 \sum_{i, j = 1}^n (t_i - t_{i-1})(t_j - t_{j-1}) = \sum_{i = 1}^n (t_i - t_{i-1}) \sum_{j = 1}^n (t_j - t_{j-1}) = T^2

e

j=1n(tjtj1)2maxj{tjtj1}j=1n(tjtj1)=Tmaxj{tjtj1}0. \left| \sum_{j=1}^{n} (t_j - t_{j-1})^2 \right| \leq \max_j\{|t_j - t_{j-1}|\}\sum_{j=1}^{n} (t_j - t_{j-1}) = T\max_j\{|t_j - t_{j-1}|\} \rightarrow 0.

Dessa forma,

Var(j=1n(WtjWtj1)2)=E[(j=1n(WtjWtj1)2)2]E[j=1n(WtjWtj1)2]2=2j=1n(tjtj1)20. \begin{align*} \mathrm{Var}\left( \sum_{j=1}^n (W_{t_j} - W_{t_{j-1}})^2\right) & = \mathbb{E}\left[\left(\sum_{j=1}^n \left(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}\right)^2\right)^2\right] - \mathbb{E}\left[\sum_{j=1}^n \left(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}\right)^2\right]^2 \\ & = 2\sum_{j = 1}^n (t_j - t_{j-1})^2 \rightarrow 0. \end{align*}

Como o valor esperado é igual à constante TT e a variância converge para zero, obtemos a convergência em probabilidade

j=1n(WtjWtj1)2T. \sum_{j=1}^{n}(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})^2 \rightarrow T.

Juntando os resultados dos dois somatórios, obtemos, ao refinarmos a malha, a convergência em probabilidade

RM(0)12WT212T, R_M(0) \rightarrow \frac{1}{2}W_T^2 - \frac{1}{2}T,

no limite M0.\|M\| \rightarrow 0.

Observe que, no limite,

E[12WT212T]=12E[WT2]12T=12T12T=0. \mathbb{E}\left[ \frac{1}{2}W_T^2 - \frac{1}{2}T\right] = \frac{1}{2}\mathbb{E}[W_T^2] - \frac{1}{2}T = \frac{1}{2}T - \frac{1}{2}T = 0.

Na verdade, o valor esperado do somatório já é nulo:

E[j=1nWtj1(WtjWtj1)]=j=1nE[Wtj1(WtjWtj1)]=j=1nE[Wtj1Wtj]j=1nE[Wtj12]=j=1nmin{tj1,tj}j=1ntj1=0. \begin{align*} \mathbb{E}\left[\sum_{j=1}^{n} W_{t_{j-1}} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) \right] & = \sum_{j=1}^{n} \mathbb{E}\left[W_{t_{j-1}} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}})\right] \\ & = \sum_{j=1}^{n} \mathbb{E}\left[W_{t_{j-1}}W_{t_j}\right] -\sum_{j=1}^{n} \mathbb{E}\left[W_{t_{j-1}}^2\right] \\ & = \sum_{j=1}^{n} \min\{t_{j-1}, t_j\} -\sum_{j=1}^{n} t_{j-1} \\ & = 0. \end{align*}

Um caminho alternativo a considerar a discrepância DM=RM(0)WT2/2D_M = R_M(0) - W_T^2/2 é trabalhar diretamente com RM(0)R_M(0) e escrever, para cada jj do somatório,

Wtj1(WtjWtj1)=Wtj1(WtjWtj1)±12Wtj(WtjWtj1)=12(Wtj+Wtj1)(WtjWtj1)12(WtjWtj1)(WtjWtj1)=12(Wtj2Wtj12)12(WtjWtj1)2, \begin{align*} W_{t_{j-1}} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) & = W_{t_{j-1}} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) \pm \frac{1}{2}W_{t_j} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) \\ & = \frac{1}{2}(W_{t_j} + W_{t_{j-1}})(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) - \frac{1}{2}(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})(W_{t_j }- W_{t_{j-1}}) \\ & = \frac{1}{2}(W_{t_j}^2 - W_{t_{j-1}}^2) - \frac{1}{2}(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})^2, \end{align*}

e mostrar que o somatório dos termos do lado direito converge para WT2/2T/2,W_T^2/2 - T/2, mas o caminho acima parece um pouco mais natural.

Caso λ=1\lambda = 1

Nesse caso, temos

RM(1)=j=1nWtj(WtjWtj1). R_M(1) = \sum_{j=1}^{n} W_{t_j} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}}).

Escrevendo

Wtj=Wtj1+WtjWtj1, W_{t_j} = W_{t_{j-1}} + W_{t_j} - W_{t_{j-1}},

vemos que

RM(1)=RM(0)+j=1n(WtjWtj1)2. R_M(1) = R_M(0) + \sum_{j=1}^{n} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}})^2.

Acabamos de ver que

RM(0)12WT212T R_M(0) \rightarrow \frac{1}{2}W_T^2 - \frac{1}{2}T

e que

j=1n(WtjWtj1)2T. \sum_{j=1}^{n} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}})^2 \rightarrow T.

Portanto,

RM(1)12WT2+12T. R_M(1) \rightarrow \frac{1}{2}W_T^2 + \frac{1}{2}T.

Aqui já vemos que o limite depende de λ.\lambda.

Caso geral 0λ10 \leq \lambda \leq 1

Vamos considerar, agora, o caso geral RM(λ).R_M(\lambda). Somando e subtraindo Wtj1W_{t_{j-1}} no primeiro termo e, em seguida, somando e subtraindo WθjλW_{\theta_j^\lambda} no segundo termo, obtemos

RM(λ)=j=1nWθjλ(WtjWtj1)=j=1nWtj1(WtjWtj1)+j=1n(WθjλWtj1)(WtjWtj1)=j=1nWtj1(WtjWtj1)+j=1n(WθjλWtj1)(WtjWθjλ+WθjλWtj1)=j=1nWtj1(WtjWtj1)+j=1n(WθjλWtj1)(WtjWθjλ)+j=1n(WθjλWtj1)(WθjλWtj1) \begin{align*} R_M(\lambda) & = \sum_{j=1}^{n} W_{\theta_j^\lambda} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) \\ & = \sum_{j=1}^{n} W_{t_{j-1}} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) + \sum_{j=1}^{n} (W_{\theta_j^\lambda} - W_{t_{j-1}})(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) \\ & = \sum_{j=1}^{n} W_{t_{j-1}} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) + \sum_{j=1}^{n} (W_{\theta_j^\lambda} - W_{t_{j-1}})(W_{t_j} - W_{\theta_j^\lambda} + W_{\theta_j^\lambda} - W_{t_{j-1}}) \\ & = \sum_{j=1}^{n} W_{t_{j-1}} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) + \sum_{j=1}^{n} (W_{\theta_j^\lambda} - W_{t_{j-1}})(W_{t_j} - W_{\theta_j^\lambda}) + \sum_{j=1}^{n} (W_{\theta_j^\lambda} - W_{t_{j-1}})(W_{\theta_j^\lambda} - W_{t_{j-1}}) \end{align*}

O primeiro termo é RM(0),R_M(0), de modo que podemos escrever

RM(λ)=RM(0)+AM(λ)+BM(λ), R_M(\lambda) = R_M(0) + A_M(\lambda) + B_M(\lambda),

onde

AM(λ)=j=1n(WθjλWtj1)(WtjWθjλ),BM(λ)=j=1n(WθjλWtj1)(WθjλWtj1). A_M(\lambda) = \sum_{j=1}^{n} (W_{\theta_j^\lambda} - W_{t_{j-1}})(W_{t_j} - W_{\theta_j^\lambda}), \qquad B_M(\lambda) = \sum_{j=1}^{n} (W_{\theta_j^\lambda} - W_{t_{j-1}})(W_{\theta_j^\lambda} - W_{t_{j-1}}).

Já sabemos que

RM(0)WT2T2, R_M(0) \rightarrow \frac{W_T}{2} - \frac{T}{2},

em probabilidade. Quanto aos outros termos, é possível mostrar que

AM(λ)λT,BM(λ)0, A_M(\lambda) \rightarrow \lambda T, \qquad B_M(\lambda) \rightarrow 0,

em probabilidade. Para isso, basta mostrar que

E[AM(λ)]λT,Var(AM(λ))0, \mathbb{E}[A_M(\lambda)] \rightarrow \lambda T, \qquad \operatorname{Var}(A_M(\lambda)) \rightarrow 0,

e

E[BM(λ)]0,Var(BM(λ))0. \mathbb{E}[B_M(\lambda)] \rightarrow 0, \qquad \operatorname{Var}(B_M(\lambda)) \rightarrow 0.

Essas demonstrações são semelhantes à de que

j=1n(WtjWtj1)2T. \sum_{j=1}^{n} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}})^2 \rightarrow T.

Deixamos os detalhes a cargo do leitor.

Como resultado, obtemos que

RM(λ)12WT2+(λ12)T, R_M(\lambda) \rightarrow \frac{1}{2}W_T^2 + \left(\lambda - \frac{1}{2}\right)T,

em probabilidade.

Considerações finais

No caso mais geral, ao considerarmos um integrando da forma g(t,Xt,Yt)g(t, X_t, Y_t) em relação a um processo {Yt}t,\{Y_t\}_t, a escolha λ=0\lambda = 0 nos levará à integral de Itô. Nesse caso, temos, como obtido acima,

0TWt dWt=12WT12T. \int_0^T W_t \;\mathrm{d}W_t = \frac{1}{2}W_T - \frac{1}{2}T.

Observe que isso não coincide com o resultado pela definição via dualidade, vista em na Seção 6.3. Integrais via dualidade. A definição via dualidade coincide com a escolha λ=1/2,\lambda = 1/2, que nos levará à integral de Stratonovich. Para evitar confusões, denotamos essa integral de forma diferente e essa, sim, coincide com a definição via dualidade, nos casos em que aquela está definida:

0TWtdWt=12WT. \int_0^T W_t \circ\mathrm{d}W_t = \frac{1}{2}W_T.

Exercícios

  1. No caso geral 0λ1,0\leq \lambda \leq 1, mostre que, ao refinarmos a malha, os seguintes limites valem em probabilidade:

j=1n(WθjλWtj1)2λTj=1n(WtjWθjλ)(WθjλWtj1)0. \begin{align*} \sum_{j=1}^{n} (W_{\theta_j^\lambda} - W_{t_{j-1}})^2 & \rightarrow \lambda T\\ \sum_{j=1}^{n} (W_{t_j} - W_{\theta_j^\lambda})(W_{\theta_j^\lambda} - W_{t_{j-1}}) & \rightarrow 0. \end{align*}
  1. Pensando na integral 0Tt dWt,\int_0^T t \;\mathrm{d}W_t, mostre que

0Tt dWt=limM0j=1ntj1(WtjWtj1)TWT0TWt dt \int_0^T t\;\mathrm{d}W_t = \lim_{\|M\|\rightarrow 0} \sum_{j=1}^n t_{j-1}(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) \rightarrow TW_T - \int_0^T W_t \;\mathrm{d}t

(dica: distribua tj1(WtjWtj1)=tj1Wtjtj1Wtj1t_{j-1}(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) = t_{j-1}W_{t_j} - t_{j-1}W_{t_{j-1}} e mude o índice do segundo somatório), de modo que essa definição via limite coincide com a definição via dualidade,

0Tg(t) dWt=g(T)WT0Tg(t)Wt dt. \int_0^T g(t) \;\mathrm{d}W_t = g(T)W_T - \int_0^T g'(t)W_t\;\mathrm{d}t.
  1. Mais geralmente, mostre, diretamente via limite de somas de Riemann-Stieltjes, que, para g=g(t)g=g(t) de variação limitada,

0Tg(t) dWt=limM0j=1ng(tj1)(WtjWtj1)=g(T)WT0TWt dg(t). \int_0^T g(t) \;\mathrm{d}W_t = \lim_{\|M\|\rightarrow 0} \sum_{j=1}^n g(t_{j-1})(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) = g(T)W_T - \int_0^T W_t\;\mathrm{d}g(t).
  1. Deduza, usando tanto a fórmula acima, quanto as somas de Riemann-Stieljes que

0Tt dWtN(0,T33). \int_0^T t\;\mathrm{d}W_t \sim \mathcal{N}\left(0, \frac{T^3}{3}\right).
  1. Usando a aproximação

0TWt dWtj=1nWtj1(WtjWtj1) \int_0^T W_t\;\mathrm{d}W_t \approx \sum_{j=1}^n W_{t_{j-1}}(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})

para calcular a integral para um certo número mm de amostras, em uma malha bem fina (por exemplo, m=100,m = 100, n=100,n = 100, T=1,T = 1, tj=jT/n,t_j = jT/n, Wtj(ωi),W_{t_j}(\omega_i), i=1,,m,i = 1, \ldots, m,), faça um histograma dessas aproximações e compare com o histograma de

WT22T2 \frac{W_T^2}{2} - \frac{T}{2}

e com a função densidade de probabilidade de

T2+12Γ(12,2T), -\frac{T}{2} + \frac{1}{2}\Gamma\left(\frac{1}{2}, 2T\right),

onde Γ=Γ(k,θ)\Gamma = \Gamma(k, \theta) é a distribuição Gamma com parâmetros de forma kk e de escala θ.\theta.

(Lembrando que se ZN(0,σ2),Z \sim \mathcal{N}(0, \sigma^2), então Z2σ2χ12Γ(1/2,2σ2),Z^2 \sim \sigma^2 \chi_1^2 \sim \Gamma(1/2, 2\sigma^2), onde χk2=i=1kZk\chi_k^2 = \sum_{i=1}^k Z_k é a distribuição χ\chi-quadrado, definida com normais ZkN(0,1)Z_k\sim \mathcal{N}(0, 1) independentes.)

  1. Use a fórmula

b2(ab)=13(a3b3)b(ab)213(ba)3, b^2(a - b) = \frac{1}{3}(a^3 - b^3) - b(a - b)^2 - \frac{1}{3}(b - a)^3,

para obter o limite

0TWt2 dWt=limM0j=1nWtj12(WtjWtj1)=WT330TWt dt. \int_0^T W_t^2\;\mathrm{d}W_t = \lim_{\|M\|\rightarrow 0} \sum_{j=1}^n W_{t_{j-1}}^2(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) = \frac{W_T^3}{3} - \int_0^T W_t\;\mathrm{d}t.
  1. Deduza, usando as somas de Riemann-Stieltjes, que vale o caso particular da isometria de Itô

E[(0Tg(t) dWt)2]=0tg(t)2 dt. \mathbb{E}\left[\left(\int_0^T g(t)\;\mathrm{d}W_t\right)^2\right] = \int_0^t g(t)^2 \;\mathrm{d}t.
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