6.5. Integral de Itô via processos uniformemente contínuos em média quadrática

Bom, já vimos como integrar processos em relação à variável independente (Seção 6.1. Integrais de Riemann), em relação a processos de variação limitada (Seção 6.2. Integrais de Riemann-Stieltjes) e como integrar certas classes de funções em relação a processos que não são de variação limitada (Seção 6.3. Integrais via dualidade). Também vimos como as somas parciais de Riemann-Stieltjes não convergem quando tentamos integrar um processo de Wiener em relação a si mesmo (Seção 6.4. Limites de somatórios à la Riemann-Stieltjes). Vamos agora ver como podemos especificar as somas parciais de forma a obter uma noção de integral que esteja bem definida nesse último caso.

No que se segue, vamos buscar definir uma integral cujo integrando é um processo estocástico {Ht}t0\{H_t\}_{t\geq 0} e a integral é em relação a um processo de Wiener {Wt}t0\{W_t\}_{t\geq 0}:

0THt dWt. \int_0^T H_t \;\mathrm{d}W_t.

Observe que se {Xt}t\{X_t\}_t é um processo estocástico e g=g(t,x)g = g(t, x) é uma função contínua, então {g(t,Xt)}t\{g(t, X_t)\}_t define um processo estocástico, de modo que podemos considerar a integral

0Tg(t,Xt) dWt \int_0^T g(t, X_t)\;\mathrm{d}W_t

simplesmente definindo Ht=g(t,Xt).H_t = g(t, X_t). Ou seja, basta considerarmos integrais de um processo {Ht}t.\{H_t\}_t.

Definição da integral de Itô

A ideia inicial é definir a integral de Itô como limite de somas de Riemann-Stieltjes calculadas com o ponto mais à esquerda de cada intervalo da malha, i.e. através de

0THt dWt=limM0j=1nHtj1(WtjWtj1), \int_0^T H_t \;\mathrm{d}W_t = \lim_{\|M\| \rightarrow 0} \sum_{j=1}^n H_{t_{j-1}} (W_{t_j} - W_{t_{j-1}}),

onde MM são malhas temporais particionando o intervalo [0,T],[0, T],

M={0=t0<t1<<tn=T; nN}, M = \{0 = t_0 < t_1 < \ldots < t_n = T; \;n\in\mathbb{N}\},

e

M=maxj=1,,ntjtj1. \|M\| = \max_{j=1, \ldots, n} |t_j - t_{j-1}|.

Vamos ver condições em {Ht}t0\{H_t\}_{t\geq 0} para que esse limite exista em média quadrática e como modificar essa definição no caso geral em que esse limite não esteja propriamente definido.

Integrandos permitidos

Uma condição essencial pode ser posta do seguinte modo informal:

A cada instante t0,t \geq 0, o integrando HtH_t deve ser independente da evolução futura sts \geq t do processo de Wiener.

Independente da evolução futura significa que, para cada t0,t\geq 0, HtH_t é independente de Wt+τWt,W_{t + \tau} - W_t, para todo τ>0.\tau > 0. Chamamos essa condição de não antecipativa ("non-antecipating") ou adaptada ao processo {Wt}t.\{W_t\}_t. Uma definição mais formal envolve o conceito de filtração:

Lembramos que uma filtração é uma família {Ft}t0\{\mathcal{F}_t\}_{t\geq 0} de sub σ\sigma-álgebras com a propriedade de que FsFt,\mathcal{F}_s \subset \mathcal{F}_t, para 0st.0 \leq s \leq t. A filtração natural é a menor filtração possível que torna cada WtW_t mensurável em relação a Fs,\mathcal{F}_s, para todo st.s \geq t. Uma filtração é dita não antecipativa ou adaptada em relação a um processo {Wt}t0\{W_t\}_{t\geq 0} quando WtW_t é mensurável em relação a Fs,\mathcal{F}_s, para todo st.s \geq t. Dizemos, então, que {Ht}t0\{H_t\}_{t\geq 0} é não antecipativa ou adaptada ao processo {Wt}t0\{W_t\}_{t\geq 0} quando, para cada t0,t\geq 0, HtH_t é mensurável em relação à filtração natural de {Wt}t0.\{W_t\}_{t\geq 0}.

Em relação à mensurabilidade, pedimos, também, que {Ht}t0\{H_t\}_{t\geq 0} seja progressivamente mensurável em relação a uma filtração Ft,\mathcal{F}_t, ou seja, que para cada T>0,T > 0, a função (t,ω)Ht(ω)(t, \omega) \mapsto H_t(\omega) definida em [0,T]×Ω[0, T] \times \Omega seja mensurável em relação à σ\sigma-álgebra produto B(0,T)×FT,\mathcal{B}(0, T) \times \mathcal{F}_{T}, onde B(0,T)\mathcal{B}(0, T) é a σ\sigma-álgebra de Borel do intervalo [0,T].[0, T].

Em relação à integrabilidade, pedimos, ainda, que {Ht}t0\{H_t\}_{t\geq 0} seja de quadrado integrável, i.e.

0TE[Ht2] dt<. \int_0^T \mathbb{E}\left[H_t^2\right] \;\mathrm{d}t < \infty.

Observe que, pelo Teorema de Fubini, essa condição garante que

[0,T]×ΩHt(ω)2 d(λ×P)(t,ω)=E[0THt(ω)2 dt]=0TE[Ht2] dt<, \int_{[0, T]\times \Omega} H_t(\omega)^2 \;\mathrm{d}(\lambda \times \mathbb{P})(t, \omega) = \mathbb{E}\left[\int_0^T H_t(\omega)^2 \;\mathrm{d}t\right] = \int_0^T \mathbb{E}\left[H_t^2\right] \;\mathrm{d}t < \infty,

onde λ×P\lambda \times \mathbb{P} denota a medida produto entre a medida de Lebesgue λ\lambda e a medida de probabilidade P\mathbb{P} em Ω.\Omega.

Vale ressaltar que se {Ht}t0\{H_t\}_{t\geq 0} é adaptada a {Wt}t0\{W_t\}_{t\geq 0} e com caminhos amostrais quase certamente contínuous, então ele é progressivamente mensurável.

As condições acima de {Ht}t0\{H_t\}_{t\geq 0} ser não-antecipativo e de quadrado integrável são suficientes para a definição da integral estocástica, mas a construção é um pouco elaborada e a definição via limites das somas finitas de Riemann-Stieljes requer hipóteses adicionais. Assim, em um primeiro momento, vamos assumir uma hipótese um pouco mais restritiva.

Convergência para integrandos localmente uniformemente contínuous em média quadrática

Inicialmente vamos assumir uma condição de continuidade no sentido de média quadrática, para ilustrar os pontos principais que garantem a convergência, em média quadrática, das somas de Riemann-Stieltjes, com uma demonstração análoga à comumente feita para as integrais de Riemann e de Riemann-Stieltjes. Como dito acima, consideramos esse caso particular a título de uma demonstração mais simples e direta da convergência das somas de Riemann-Stieljes para se definir a integral de Itô. Em seguida, faremos uma outra construção, mais elaborada, para processos que não sejam necessariamente uniformemente contínuos no sentido acima.

Processos localmente uniformemente contínuos em média quadrática

Mais precisamente, vamos supor que, além de {Ht}t0\{H_t\}_{t\geq 0} ser de quadrado integrável e progressivamente mensurável em relação ao processo de Wiener, também seja localmente uniformemente contínua no sentido de média quadrática, i.e. dados quaisquer T>0T > 0 e η>0,\eta > 0, existe δ>0\delta > 0 tal que

E[Ht+τHt2]<η,0<τ<δ, 0tt+τT. \mathbb{E}\left[ |H_{t +\tau} - H_t|^2 \right] < \eta, \qquad \forall 0 < \tau < \delta, \; 0 \leq t \leq t + \tau \leq T.

O termo "uniforme" se refere à estimativa ser uniforme em t[0,T],t\in [0, T], enquanto que "local" se refere a TT ser finito.

Observe que o processo de Wiener tem a propriedade de que Wt+τWtN(0,τ),W_{t+\tau} - W_t \sim \mathcal{N}(0, \tau), de forma que

E[Wt+τWt2]=τ, \mathbb{E}\left[ |W_{t+\tau} - W_t|^2 \right] = \tau,

que implica trivialmente na condição acima. Qualquer potência do processo de Wiener também pode ser adequadamente estimada de acordo com a condição acima.

Observe, ainda, que a condição acima não exige que os caminhos sejam, quase certamente, contínuos. De fato, basta considerar Ω=[0,1]\Omega = [0, 1] com probabilidade uniforme e definir Ht(ω)=χ[ω,1](t),H_t(\omega) = \chi_{[\omega, 1]}(t), que é descontínuo em t=ω.t = \omega. Com isso, os caminhos são, todos, descontínuos em algum ponto. No entanto, E[Ht+τHt2]=P(Ht+τHt>η)=τ,\mathbb{E}[|H_{t+\tau} - H_t|^2] = \mathbb{P}(|H_{t+\tau} - H_t| > \eta) = \tau, para todo 0<η<1,0< \eta < 1, mostrando que a condição de continuidade uniforme em média quadrática é valida.

Um exemplo clássico de caminhos descontínuos em um conjunto enumerável de pontos é o de um processo de Poisson composto, Ht=i=1NtDi,H_t = \sum_{i=1}^{N_t} D_i, onde {Nt}t0\{N_t\}_{t\geq 0} é um processo de contagem de Poisson em taxa λ>0\lambda > 0 e {Di}iN\{D_i\}_{i\in\mathbb{N}} é um processo independente e identicamente distribuído com distribuições DD com E[D2]<.\mathbb{E}[D^2] < \infty. Nesse caso, é possível mostrar que

E[Ht+τHt2]=E[Ht+τHt]2+Var(Ht+τHt)=λ2t2E[D]2+λtE[D2], \mathbb{E}[|H_{t + \tau} - H_t|^2] = \mathbb{E}[H_{t + \tau} - H_t]^2 + \operatorname{Var}(H_{t+\tau} - H_t) = \lambda^2 t^2\mathbb{E}[D]^2 + \lambda t \mathbb{E}[D^2],

de modo que a condição de continuidade uniforme em média quadrática também é válida.

Observe que esses exemplos mostram a importância da hipótese do Teorema da Continuidade de Kolmogorov ter uma potência τ1+ε\tau^{1 + \varepsilon} no lado direito da condição, com ε\varepsilon estritamente positivo. Nos exemplos acima, temos a estimativa com ε=0\varepsilon = 0 e os caminhos não são nem contínuos.

Como dito acima, usamos essa condição a título de uma demonstração mais simples e direta da convergência das somas de Riemann-Stieljes para se definir a integral de Itô.

Somas finitas de Riemann-Stieltjes

Consideremos, então, as somas finitas de Riemann-Stieltjes

SM=j=1nHtj1(WtjWtj1), S_M = \sum_{j=1}^n H_{t_{j-1}}(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}),

onde M={tj}j=1nM = \{t_j\}_{j=1}^n é uma malha formada por 0=t0<t1<<tn=T,0 = t_0 < t_1 < \ldots < t_n = T, com nNn\in \mathbb{N} arbitrário, como definido acima. Vamos mostrar que {SM}M\{S_M\}_{M} é (uma rede) de Cauchy, em L2(Ω).L^2(\Omega).

limM1,M20P(SM1SM2ε)=0, \lim_{\|M_1\|, \|M_2\| \rightarrow 0} \mathbb{P}(|S_{M_1} - S_{M_2}| \geq \varepsilon) = 0,

lembrando que, para uma malha M,M,

M=maxj=1,,ntjtj1. \|M\| = \max_{j=1, \ldots, n} |t_j - t_{j-1}|.

Uma vez feito isso, obtemos que existe uma variável aleatória limite S,S, tal que SMSS_M \rightarrow S em em média quadrática, i.e.

limM0E(SMS2)=0. \lim_{\|M\|\rightarrow 0} \mathbb{E}(|S_M - S|^2) = 0.

Com isso, SMS_M converge, em média quadrática, para um limite S,S, que definimos como sendo a integral de {Ht}t0\{H_t\}_{t\geq 0} em relação a {Wt}t0,\{W_t\}_{t\geq 0}, no intervalo [0,T]:[0, T]:

0THt dt=S=limM0SM=limM0j=1nHtj1(WtjWtj1). \int_0^T H_t\;\mathrm{d}t = S = \lim_{\|M\|\rightarrow 0} S_M = \lim_{\|M\|\rightarrow 0} \sum_{j=1}^n H_{t_{j-1}}(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}).

Média quadrática entre duas malhas

Dadas duas malhas M1M_1 e M2,M_2, podemos fazer uma triangulação com o refinamento das duas malhas, M=M1M2.M = M_1 \cup M_2. Naturalmente,

Mmin{M1,M2}. \|M\| \leq \min\{M_1, M_2\}.

Vamos comparar M1M_1 e M2M_2 com M.M. Denotando os pontos da malha mais grossa M1M_1 por ti,t_i', i=1,,n1,i = 1, \ldots, n_1, e os pontos da malha mais fina MM por tj,t_j, j=1,,n,j=1, \ldots, n, com MM1M\subset M_1 e nn1,n \geq n_1, podemos escrever

SM=j=1nHtj1(WtjWtj1) S_M = \sum_{j=1}^n H_{t_{j-1}}(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})

e

SM1=i=1n1Hti1(WtiWti1), S_{M_1} = \sum_{i=1}^{n_1} H_{t_{i-1}'}(W_{t_i'} - W_{t_{i-1}'}),

onde, para cada j=0,,n,j=0, \ldots, n, existe um único iji_j tal que

tijtj<tij+1. t_{i_j}' \leq t_j < t_{i_j+1}.

Assim, somando e subtraindo os passos intermediários se necessário, podemos escrever

SM1=j=1nHtij1(WtjWtj1). S_{M_1} = \sum_{j=1}^{n} H_{t_{i_{j-1}}}(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}).

Com isso,

SM1SM=j=1n(Htij1Htj1)(WtjWtj1). S_{M_1} - S_M = \sum_{j=1}^{n} (H_{t_{i_{j-1}}} - H_{t_{j-1}})(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}).

Elevando ao quadrado,

(SM1SM)2=(j=1n(Htij1Htj1)(WtjWtj1))2=j=1nk=1n(Htij1Htj1)(WtjWtj1)(Htij1Htk1)(WtkWtk1). \begin{align*} (S_{M_1} - S_M)^2 & = \left(\sum_{j=1}^{n} (H_{t_{i_{j-1}}} - H_{t_{j-1}})(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})\right)^2 \\ & = \sum_{j=1}^{n} \sum_{k=1}^{n} (H_{t_{i_{j-1}}} - H_{t_{j-1}})(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})(H_{t_{i_{j-1}}} - H_{t_{k-1}})(W_{t_k} - W_{t_{k-1}}). \end{align*}

Logo,

E[SM1SM2]=j=1nk=1nE[(Htij1Htj1)(WtjWtj1)(Htij1Htk1)(WtkWtk1)] \mathbb{E}[|S_{M_1} - S_M|^2] = \sum_{j=1}^{n} \sum_{k=1}^{n} \mathbb{E}\left[(H_{t_{i_{j-1}}} - H_{t_{j-1}})(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})(H_{t_{i_{j-1}}} - H_{t_{k-1}})(W_{t_k} - W_{t_{k-1}})\right]

Para j<k,j < k, temos WtkWtk1,W_{t_k} - W_{t_{k-1}}, que tem esperança nula, independente dos outros termos, de modo que

E[(Htij1Htj1)(WtjWtj1)(Htij1Htk1)(WtkWtk1)]=E[(Htij1Htj1)(WtjWtj1)(Htij1Htk1)]E[(WtkWtk1)]=0. \begin{align*} & \mathbb{E}\left[(H_{t_{i_{j-1}}} - H_{t_{j-1}})(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})(H_{t_{i_{j-1}}} - H_{t_{k-1}})(W_{t_k} - W_{t_{k-1}})\right] \\ & \qquad = \mathbb{E}\left[(H_{t_{i_{j-1}}} - H_{t_{j-1}})(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})(H_{t_{i_{j-1}}} - H_{t_{k-1}})\right]\mathbb{E}\left[(W_{t_k} - W_{t_{k-1}})\right] \\ & \qquad = 0. \end{align*}

Por outro lado, para k>j,k > j, temos WtjWtj1,W_{t_j} - W_{t_{j-1}}, que também tem esperança nula, independente dos outros termos. Logo,

E[(Htij1Htj1)(WtjWtj1)(Htij1Htk1)(WtkWtk1)]=E[(Htij1Htj1)(WtkWtk1)(Htij1Htk1)]E[(WtjWtj1)]=0. \begin{align*} & \mathbb{E}\left[(H_{t_{i_{j-1}}} - H_{t_{j-1}})(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})(H_{t_{i_{j-1}}} - H_{t_{k-1}})(W_{t_k} - W_{t_{k-1}})\right] \\ & \qquad = \mathbb{E}\left[(H_{t_{i_{j-1}}} - H_{t_{j-1}})(W_{t_k} - W_{t_{k-1}})(H_{t_{i_{j-1}}} - H_{t_{k-1}})\right]\mathbb{E}\left[(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})\right] \\ & \qquad = 0. \end{align*}

Sobram, então, apenas os termos com k=j,k=j, i.e.

E[SM1SM2]=j=1nE[(Htij1Htj1)2(WtjWtj1)2]. \mathbb{E}[|S_{M_1} - S_M|^2] = \sum_{j=1}^{n} \mathbb{E}\left[(H_{t_{i_{j-1}}} - H_{t_{j-1}})^2(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})^2\right].

Como {Ht}t0\{H_t\}_{t\geq 0} é não antecipativo, cada termo Htij1Htj1H_{t_{i_{j-1}}} - H_{t_{j-1}} é independente de WtjWtj1,W_{t_j} - W_{t_{j-1}}, de modo que

E[SM1SM2]=j=1nE[(Htij1Htj1)2]E[(WtjWtj1)2]. \mathbb{E}[|S_{M_1} - S_M|^2] = \sum_{j=1}^{n} \mathbb{E}\left[(H_{t_{i_{j-1}}} - H_{t_{j-1}})^2\right]\mathbb{E}\left[(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})^2\right].

Dado η>0,\eta > 0, existe δ>0\delta > 0 tal que, para M1,M2<δ,\|M_1\|, \|M_2\| < \delta, cada tj1tij1t_{j-1} - t_{i_{j-1}} está limitado pela malha mais grossa M1,M_1, de modo que 0tj1tij1<δ0 \leq t_{j-1} - t_{i_{j-1}} < \delta e, com isso,

E[Htij1Htj12]<η. \mathbb{E}\left[|H_{t_{i_{j-1}}} - H_{t_{j-1}}|^2\right] < \eta.

Usando, ainda, que E[(WtjWtj1)2]=tjtj1,\mathbb{E}\left[(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})^2\right] = t_j - t_{j-1}, obtemos

E[SM1SM2]j=1nη(tjtj1)=ηT. \mathbb{E}[|S_{M_1} - S_M|^2] \leq \sum_{j=1}^{n} \eta (t_j - t_{j-1}) = \eta T.

Idem para M2.M_2. Logo,

E[SM1SM22]2ηT. \mathbb{E}[|S_{M_1} - S_{M_2}|^2] \leq 2\eta T.

Como podemos tomar η>0\eta > 0 arbitrariamente pequeno, bastando refinar cada vez mais a malha, obtemos que

limM1,M20E(SM1SM22)=0. \lim_{\|M_1\|, \|M_2\| \rightarrow 0} \mathbb{E}(|S_{M_1} - S_{M_2}|^2) = 0.

Logo, existe uma variável aleatória R=R(ω)R=R(\omega) de quadrado integrável tal que

limM0E(SMR2)=0, \lim_{\|M\|\rightarrow 0} \mathbb{E}(|S_M - R|^2) = 0,

ou seja, existe o limite

R=limM0SM R = \lim_{\|M\|\rightarrow 0} S_M

e podemos definir a integral de {Ht}t0\{H_t\}_{t\geq 0} em relação a {Wt}t0,\{W_t\}_{t\geq 0}, no intervalo [0,T],[0, T], por

0THt dWt=R=limM0SM=limM0j=1nHtj1(WtjWtj1). \int_0^T H_t\;\mathrm{d}W_t = R = \lim_{\|M\|\rightarrow 0} S_M = \lim_{\|M\|\rightarrow 0} \sum_{j=1}^n H_{t_{j-1}}(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}).

Essa definição nos dá a integral de Itô, em relação a um processo de Wiener {Wt}t0,\{W_t\}_{t\geq 0}, de um processo estocástico {Ht}t0\{H_t\}_{t\geq 0} com as propriedades de ser progressivamente mensurável em relação à filtração natural do processo de Wiener, ter quadrado integrável em [0,T]×Ω[0, T]\times \Omega e ser localmente uniformemente contínuo em média quadrática.

Valor esperado da integral estocástica

Temos

E[SM]=j=1nE[Htj1(WtjWtj1)]. \mathbb{E}\left[ S_M \right] = \sum_{j=1}^n \mathbb{E}\left[H_{t_{j-1}}(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})\right].

Como {Ht}t0\{H_t\}_{t\geq 0} é não antecipativo, temos que cada Htj1H_{t_{j-1}} é independente de WtjWtj1.W_{t_j} - W_{t_{j-1}}. Logo,

E[SM]=j=1nE[Htj1]E[WtjWtj1]=0, \mathbb{E}\left[ S_M \right] = \sum_{j=1}^n \mathbb{E}\left[H_{t_{j-1}}\right]\mathbb{E}\left[W_{t_j} - W_{t_{j-1}}\right] = 0,

visto que cada passo WtjWtj1W_{t_j} - W_{t_{j-1}} tem valor esperado nulo. Portanto,

E[SM]=0, \mathbb{E}[S_M] = 0,

para qualquer malha M.M. No limite, como SMSS_M \rightarrow S em média quadrática, segue que

E[0THt dt]=E[S]=limM0E[SM]=0. \mathbb{E}\left[\int_0^T H_t\;\mathrm{d}t\right] = \mathbb{E}[S] = \lim_{\|M\|\rightarrow 0}\mathbb{E}[S_M] = 0.

Isometria de Itô

Sabendo que SMS_M converge para RR em média quadrádica, segue que

E[SM2]E[S2], \mathbb{E}[S_M^2] \rightarrow \mathbb{E}[S^2],

quando a malha é refinada ao limite M0.\|M\| \rightarrow 0. Vamos calcular o limite de E[SM2]\mathbb{E}[S_M^2] e ver que isso nos dá uma importante identidade conhecida como isometria de Itô.

Primeiramente, temos

E[SM2]=E[(j=1nHtj1(WtjWtj1))2]=E[i=1nj=1nHti1(WtiWti1)Htj1(WtjWtj1)]=i=1nj=1nE[Hti1(WtiWti1)Htj1(WtjWtj1)]. \begin{align*} \mathbb{E}[S_M^2] & = \mathbb{E}\left[\left(\sum_{j=1}^n H_{t_{j-1}}(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})\right)^2\right] \\ & = \mathbb{E}\left[\sum_{i=1}^n \sum_{j=1}^n H_{t_{i-1}}(W_{t_i} - W_{t_{i-1}})H_{t_{j-1}}(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})\right] \\ & = \sum_{i=1}^n \sum_{j=1}^n \mathbb{E}\left[H_{t_{i-1}}(W_{t_i} - W_{t_{i-1}})H_{t_{j-1}}(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})\right]. \end{align*}

De maneira análoga à feita acima para o cálculo de E[SM1SM22],\mathbb{E}[|S_{M_1} - S_{M_2}|^2], os termos com iji\neq j se anulam, restando

E[SM2]=j=1nE[Htj12(WtjWtj1)2]=j=1nE[Htj12]E[(WtjWtj1)2]=j=1nE[Htj12](tjtj1) \begin{align*} \mathbb{E}[S_M^2] & = \sum_{j=1}^n \mathbb{E}\left[H_{t_{j-1}}^2(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})^2\right] \\ & = \sum_{j=1}^n \mathbb{E}\left[H_{t_{j-1}}^2\right]\mathbb{E}\left[(W_{t_j} - W_{t_{j-1}})^2\right] \\ & = \sum_{j=1}^n \mathbb{E}\left[H_{t_{j-1}}^2\right](t_j t_{j-1}) \end{align*}

Note, agora, que o último termo é uma soma de Riemann da função E[Ht2].\mathbb{E}[H_t^2]. Com a hipótese de continuidade uniforme em média quadrática, segue que

tE[Ht2] t \mapsto \mathbb{E}[H_t^2]

é uma função contínua, de modo que o soma de Riemann converge para a integral de Riemann

E[S2]=limM0E[SM]=0TE[Ht2] dt. \mathbb{E}[S^2] = \lim_{\|M\|\rightarrow 0} \mathbb{E}[S_M] = \int_0^T \mathbb{E}[H_t^2]\;\mathrm{d}t.

De outra forma, escrevemos

E[(0THt dWt)2]=0TE[Ht2] dt. \mathbb{E}\left[\left(\int_0^T H_t \;\mathrm{d}W_t \right)^2\right] = \int_0^T \mathbb{E}[H_t^2]\;\mathrm{d}t.

Essa identidade é chamada isometria de Itô.

Por exemplo,

E[(0TWt dWt)2]=0TE[Wt2] dt=0Tt dt=T22. \mathbb{E}\left[\left(\int_0^T W_t \;\mathrm{d}W_t \right)^2\right] = \int_0^T \mathbb{E}[W_t^2]\;\mathrm{d}t = \int_0^T t\;\mathrm{d}t = \frac{T^2}{2}.

Por outro lado, já vimos que

0TWt dWt=limM0j=1nWtj1(WtjWtj1)=WT22T2, \int_0^T W_t \;\mathrm{d}W_t = \lim_{\|M\|\rightarrow 0} \sum_{j=1}^n W_{t_{j-1}}(W_{t_j} - W_{t_{j-1}}) = \frac{W_T^2}{2} - \frac{T}{2},

o que nos leva a uma outra forma de calcular essa esperança, a saber

E[(0TWt dWt)2]=E[WT442WT22T2+T24]=E[WT4]42E[WT2]2T2+T24=3E[WT2]242T2T2+T24=3T242T2T2+T24=3T242T24+T24=T22, \begin{align*} \mathbb{E}\left[\left(\int_0^T W_t \;\mathrm{d}W_t\right)^2\right] & = \mathbb{E}\left[\frac{W_T^4}{4} - 2\frac{W_T^2}{2}\frac{T}{2} + \frac{T^2}{4}\right] \\ & = \frac{\mathbb{E}[W_T^4]}{4} - 2\frac{\mathbb{E}[W_T^2]}{2}\frac{T}{2} + \frac{T^2}{4} \\ & = \frac{3\mathbb{E}[W_T^2]^2}{4} - 2\frac{T}{2}\frac{T}{2} + \frac{T^2}{4} \\ & = \frac{3T^2}{4} - 2\frac{T}{2}\frac{T}{2} + \frac{T^2}{4} \\ & = \frac{3T^2}{4} - 2\frac{T^2}{4} + \frac{T^2}{4} \\ & = \frac{T^2}{2}, \end{align*}

onde usamos que WTW_T é uma normal e, portanto, E[WT4]=3E[WT2]2.\mathbb{E}[W_T^4] = 3\mathbb{E}[W_T^2]^2.

Extensão para processos não-antecipativos de quadrado integrável

Para definir a integral de Itô de maneira mais geral, o caminho clássico é definir a integral para processos não-antecipativos do tipo escada e estender essa definição aproximando um processo não-antecipativo de quadrado integrável por processos não-antecipativos do tipo escada. Como já definimos a integral de Itô para processos não-antecipativos que são localmente uniformemente contínuos em média quadrática, podemos usar esse tipo de processos para fazer essa extensão. Ou seja, basta aproximarmos um processo não-antecipativo de quadrado integrável por processos não-antecipativos que sejam localmente uniformemente contínuos em média quadrática.

Aproximação por processos contínuos

Dada uma função de quadrado integrável f:RR,f:\mathbb{R} \rightarrow \mathbb{R}, uma maneira clássica de aproximá-la por funções contínuas é através da convolução tRf(s)φε(ts) dtt \mapsto \int_\mathbb{R} f(s) \varphi_\varepsilon(t-s) \;\mathrm{d}t com aproximações da identidade φε.\varphi_\varepsilon. Essa convolução, no entanto, envolve, tipicamente, olhar para o "passado" e para o "futuro" da função. O mesmo acontece com processos estocásticos. No entanto, para a integral de Itô, queremos preservar a propriedade de não antecipação do processo. Para isso, usamos aproximações da identidade que considerem apenas o passado da função, por exemplo,

φε(t)={1εet/ε,t0,0,t<0. \varphi_\varepsilon(t) = \begin{cases} \displaystyle \frac{1}{\varepsilon} e^{-t/\varepsilon}, & t \geq 0, \\ 0, & t < 0. \end{cases}

Mais especificamente, dado um processo {Ht}t0\{H_t\}_{t \geq 0} de quadrado integrável e progressivamente mensurável em relação a {Wt}t0,\{W_t\}_{t \geq 0}, estendemos Ht=0,H_t = 0, para t0t \leq 0 e definimos

Htm=φ1/mHt=0tmem(ts)Hs ds. H_t^m = \varphi_{1/m} \star H_t = \int_0^t m e^{-m(t - s)} H_s \;\mathrm{d}s.

Como HtmH_t^m só envolve Hs,H_s, para 0st,0\leq s \leq t, então HtmH_t^m continua sendo não antecipativo. Além disso, para t0t \geq 0 e τ>0,\tau > 0,

Ht+τmHtm=0t+τmem(t+τs)Hs ds0tmem(ts)Hs ds=tt+τmem(t+τs)Hs ds+0tm(em(t+τs)em(ts))Hs ds \begin{align*} H_{t+\tau}^m - H_t^m & = \int_0^{t+\tau} m e^{-m(t + \tau - s)} H_s \;\mathrm{d}s - \int_0^t m e^{-m(t - s)} H_s \;\mathrm{d}s \\ & = \int_t^{t+\tau} m e^{-m(t + \tau - s)} H_s \;\mathrm{d}s + \int_0^t m \left(e^{-m(t + \tau - s)} - e^{-m(t - s)}\right) H_s \;\mathrm{d}s \end{align*}

Usando que em(t+τs)1e^{-m(t + \tau - s)} \leq 1 e

em(t+τs)em(ts)=tst+τsmemη dηmτ, \left|e^{-m(t + \tau - s)} - e^{-m(t - s)}\right| = \int_{t - s}^{t + \tau - s} m e^{-m\eta}\;\mathrm{d}\eta \leq m \tau,

obtemos

Ht+τmHtmtt+τmHs ds0tm2τHs ds=(m+m2τ)0t+τHs ds(m+m2τ)τ(0t+τHs2 ds)1/2. \begin{align*} \left|H_{t+\tau}^m - H_t^m \right| & \leq \int_t^{t+\tau} m |H_s| \;\mathrm{d}s - \int_0^t m^2 \tau |H_s| \;\mathrm{d}s \\ & = (m + m^2\tau)\int_0^{t+\tau} |H_s|\;\mathrm{d}s \\ & \leq (m + m^2\tau)\sqrt{\tau}\left(\int_0^{t+\tau} |H_s|^2\;\mathrm{d}s\right)^{1/2}. \end{align*}

Como {Ht}t0\{H_t\}_{t\geq 0} é de quadrado integrável em intervalos finitos, segue que, para quase todo caminho amostral,

0tHs(ω)2 ds<, \int_0^t H_s(\omega)^2 \;\mathrm{d}s < \infty,

de modo que

Ht+τm(ω)Htm(ω),τ0, H_{t + \tau}^m(\omega) \rightarrow H_t^m(\omega), \quad \tau \rightarrow 0,

mostrando a continuidade quase certamente das aproximações {Htm}t0.\{H_t^m\}_{t \geq 0}.

Para a continuidade uniforme em média quadrática, podemos estimar diretamente

E[(Ht+τmHtm)2](m+m2τ)2τ(0t+τHs2 ds)0, \mathbb{E}[(H_{t+\tau}^m - H_t^m)^2] \leq (m + m^2\tau)^2\tau\left(\int_0^{t+\tau} |H_s|^2\;\mathrm{d}s\right) \rightarrow 0,

quando τ0,\tau \rightarrow 0, uniformemente em 0tT,0 \leq t \leq T, para T>0T>0 qualquer.

Convergência das aproximações contínuas

Um outro passo fundamental é mostrar que, de fato, {Htm}t0\{H_t^m\}_{t\geq 0} converge para {Ht}t0,\{H_t\}_{t\geq 0}, em média quadrática. Isso é feito da seguinte forma. Primeiro, escrevemos

HtHtm=Ht0memsHts ds=Ht0mems ds0memsHts ds=0mems(HtHts) ds. \begin{align*} H_t - H_t^m & = H_t - \int_0^\infty m e^{-m s} H_{t - s}\;\mathrm{d}s \\ & = H_t \int_0^\infty m e^{-m s} \;\mathrm{d}s - \int_0^\infty m e^{-m s} H_{t - s}\;\mathrm{d}s \\ & = \int_0^\infty m e^{-m s} (H_t - H_{t - s})\;\mathrm{d}s. \end{align*}

Com isso, usando a desigualdade de Cauchy-Schwarz, quebrando o termo da exponencial em ems=ems/2ems/2,e^{-m s} = e^{-m s/2}e^{-m s/2},

HtHtm2=(0mems(HtHts) ds)2(0mems(HtHts)2 ds)(0mems ds)=0mems(HtHts)2 ds. \begin{align*} |H_t - H_t^m|^2 & = \left(\int_0^\infty m e^{-m s} (H_t - H_{t - s})\;\mathrm{d}s\right)^2 \\ & \leq \left(\int_0^\infty m e^{-m s} (H_t - H_{t - s})^2\;\mathrm{d}s\right)\left(\int_0^\infty m e^{-m s} \;\mathrm{d}s\right) \\ & = \int_0^\infty m e^{-m s} (H_t - H_{t - s})^2\;\mathrm{d}s. \end{align*}

Fazendo uma mudança de variáveis, obtemos

HtHtm20es(HtHts/m)2 ds. |H_t - H_t^m|^2 \leq \int_0^\infty e^{-s} (H_t - H_{t - s/m})^2\;\mathrm{d}s.

Assim,

0TE[HtHtm2] dt0T0esE[(HtHts/m)2] ds dt \begin{align*} \int_0^T \mathbb{E}\left[\left|H_t - H_t^m\right|^2\right] \;\mathrm{d}t \leq \int_0^T \int_0^\infty e^{-s} \mathbb{E}\left[(H_t - H_{t - s/m})^2\right]\;\mathrm{d}s\;\mathrm{d}t \end{align*}

Trocando a ordem de integração e usando a continuidade em média quadrática de processos com média quadrática finita, obtemos a convergência desejada.

Extensão da definição de integral de Itô

Vimos acima como definir a integral de Itô, em relação a um processo de Wiener, de um processo não-antecipativo localmente uniformemente contínuo em média quadrática. Também vimos como aproximar um processo não-antecipativo com média quadrática finita por processos não-antecipativos que sejam localmente uniformemente contínuos em média quadrática. Usando, agora, a linearidade da integral de Itô e a isometria de Itô para estes tipos de processos, podemos estender essa definição para processos não-antecipativos com média quadrática finita.

Mais precisamente, seja {Ht}t0\{H_t\}_{t\geq 0} um processo não-antecipativo com média quadrática finita. Como visto acima, podemos aproximar um tal processo por processos {Htm}t0\{H_t^m\}_{t\geq 0} que sejam não-antecipativos e localmente uniformemente contínuos em média quadrática,

0TE[HtHtm2] dt0,m. \int_0^T \mathbb{E}[|H_t - H_t^m|^2] \;\mathrm{d}t \rightarrow 0, \quad m \rightarrow \infty.

Também vimos como definir a integral de Itô de tais processos,

0THtm dWt. \int_0^T H_t^m\;\mathrm{d}W_t.

Agora, usando a isometria de Itô válida para tais processos, temos

E[0THtm1 dWt0THtm2 dWt2]=0TE[Htm1Htm22] dt0,m1,m2. \mathbb{E}\left[ \left|\int_0^T H_t^{m_1}\;\mathrm{d}W_t - \int_0^T H_t^{m_2}\;\mathrm{d}W_t \right|^2\right] = \int_0^T \mathbb{E}\left[ |H_t^{m_1} - H_t^{m_2}|^2\right] \;\mathrm{d}t \rightarrow 0, \quad m_1, m_2 \rightarrow \infty.

Logo, o limite das integrais de Itô dos processos aproximadas existe. Definimos a integral de Itô de {Ht}t0\{H_t\}_{t\geq 0} por esse limite,

0THt dWt=limm0THtm;dWt. \int_0^T H_t\;\mathrm{d}W_t = \lim_{m\rightarrow \infty} \int_0^T H_t^m;\mathrm{d}W_t.

Na construção acima, usamos a molificação com φ1/m\varphi_{1/m} para definir {Htm}t0\{H_t^m\}_{t\geq 0} mas isso pode ser feito com qualquer outra aproximação. Ou seja, usando, do mesmo jeito, a isometria de Itô, o limite independende da escolha das aproximações de {Ht}t0.\{H_t\}_{t \geq 0}. Mais precisamente, se {Gtm}t0\{G_t^m\}_{t \geq 0} é uma outra aproximação de {Ht}t0\{H_t\}_{t \geq 0}, no sentido de média quadrática, por processos não-antecipativos e localmente uniformemente contínuos em média quadrática, então necessariamente

0TE[GtmHtm2] dt0,m \int_0^T \mathbb{E}[|G_t^m - H_t^m|^2]\;\mathrm{d}t \rightarrow 0, \quad m\rightarrow \infty

e

E[0TGtm dWt0THtm dWt2]=0TE[GtmHtm2] dt0,m, \mathbb{E}\left[ \left|\int_0^T G_t^m\;\mathrm{d}W_t - \int_0^T H_t^m\;\mathrm{d}W_t \right|^2\right] = \int_0^T \mathbb{E}\left[ |G_t^m - H_t^m|^2\right] \;\mathrm{d}t \rightarrow 0, \quad m \rightarrow \infty,

provando a independência do limite tem termos da sequência aproximante.

Exercícios

  1. Suponha f=f(x)f=f(x) localmente Hölder/Lipschitz contínua em R,\mathbb{R}, satisfendo uma estimativa da forma

f(y)f(x)(c0+c1max{xp,yp})yxθ, |f(y) - f(x)| \leq \left(c_0 + c_1\max\{|x|^p, |y|^p\}\right)|y - x|^\theta,

para todo x,yR,x, y\in\mathbb{R}, onde c0,c10,c_0, c_1 \geq 0, p1,p\geq 1, e 0<θ10 < \theta \leq 1 (na verdade basta que pp e θ\theta sejam positivos). Considere o processo estocástico {Ht}t0\{H_t\}_{t\geq 0} definido por

Ht=f(Wt), H_t = f(W_t),

onde {Wt}t0\{W_t\}_{t\geq 0} é um processo de Wiener. Usando a desigualdade maximal

E[max0tTWt2]4E[WT2], \mathbb{E}[\max_{0\leq t \leq T} |W_t|^2] \leq 4\mathbb{E}[W_T^2],

mostre que {Ht}t0\{H_t\}_{t \geq 0} é uniformemente contínuo em média quadrática.

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